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5 discos independentes de cantoras brasileiras - e um pouco de suas histórias

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A música brasileira está, mais do que nunca, em perigo. O consumo está cada vez mais americanizado e as atenções estão cada vez mais voltadas para o mercado internacional (no dia de hoje, 14/6/2021, a música mais tocada no país é da americana Olivia Rodrigo, seguida pela britânica Dua Lipa); num contraponto, os artistas brasileiros que não se encaixam no padrão comercial enfrentam dificuldades macabras para se manter de pé - vendem o carro, arranjam empregos convencionais, voltam para a casa dos pais no interior, têm lives pagas negadas e recebem cada vez menos retorno das plataformas digitais. A situação torna-se ainda pior quando a música brasileira começa a ser fetichizada: ouvir artistas do Brasil é considerado pretensioso e colocado sob o falso (e pejorativo) rótulo de "hipster". Em 2021, ouvir Rita Lee - talvez a artista que mais vendeu discos e ingressos na história do país -, por exemplo, é tido como algo digno de "diferentões" que mantêm uma estante abarrot

entrevista com Maria Cecilia Rocha, a Ciça/Cissa - bernini vinil

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o disco homônimo da cantora Cissa , lançado em 1988, foi resgatado pelo pesquisador musical Renan Trindade, da produtora Boca do Sol, no ano de 2021. Renan postou o disco completo em seu canal do Youtube ( acesse aqui ) e rapidamente a palavra se espalhou, com o valor médio do disco aumentando de módicos R$20 para R$200 na plataforma de vendas Discogs.  pensava-se até então que “Ciça” (1988) era o único trabalho da cantora que, na verdade, gravou um 2o LP pela RGE em 1993, intitulado “ Estou Bem ”, e tem uma longa parceria de peso com a banda Raça Negra (ela é casada com Irupê, saxofonista e flautista que integrou a banda entre 1991 e 2013, há mais de 30 anos). o nome verdadeiro da Cissa é Maria Cecília Rocha, ela nasceu em 1955 e mora em São Paulo, SP. ela pretende se inscrever no The Voice Mais, reality show da Globo que vem trazendo holofotes para talentos acima dos 60 anos. a entrevista foi concedida no formato de áudio e pode ser acessada no final deste artigo. as perguntas tamb

colecionadores de hype // Noize Record Club e Três Selos

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 no Brasil de 2020, no ápice da pandemia mundial do COVID-19, temos duas revistas nadando contra a correnteza e lançando discos de vinil em edições limitadas mensalmente. embora existam comparações entre as duas, o modo de trabalho e principalmente a curadoria são diferentes e, no fim das contas, acabam sendo complementares para quem pode desembolsar cerca de R$250 mensais para assinar os dois clubes. minha coleção Três Selos 2019 ninguém é perfeito. enquanto a revista Noize "atira para tudo quanto é lado" com uma curadoria um tanto quanto confusa - em um mês lançam Raul Seixas, no mês seguinte lançam Duda Beat -, a Três Selos não tem vergonha em assumir o coleguismo e beneficiar os artistas preferidos dos donos do selo - até o presente momento, a Três Selos já lançou 14 discos de vinil da banda Metá Metá (que eu particularmente amo, mas poderiam dar oportunidade para outras pessoas).  perdoados os defeitos de cada revista, é bom lembrar que os pontos positivos falam muit

Gretchen, a forgotten singer - but a very popular figure in Brazilian culture

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It's 2020 and Maria Odete Brito de Miranda, the brazilian singer known as Gretchen, who enjoyed mainstream success during the 80s, is now only known because of memes, Whatsapp stickers and gifs. Gretchen, who hasn't released a studio album since 2009, has basically  been forgotten as a singer and is now only remembered because of her poor features on cheap brazilian reality shows from the last decade. Which is such a shame. It's true - she has been able to catch the media attention for 40 years, even though she has only had three hits in Brazil: "Freak Le Boom Boom", from 1979; "Conga Conga Conga", from 1981; and "Melô do Piripipi", from 1982. After that her popularity as a singer decreased more and more. But the brazilian press has never stopped treating her like a superstar. It's such a shame that her most interesting moments in music have never came to the mainstream public eye. Her 1995 album, called "Sexy Charme &am

entrevista - ana frango elétrico // bernini vinil

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little little little electric chicken heart! pequeno pequeno coração galinha! ahá! bernini : você, Xênia França e Dona Onete estão entre as pouquíssimas cantoras brasileiras modernas a terem seus álbuns editados em LP, um formato que requer grande investimento financeiro, no exterior. o que você espera colher com o lançamento do "Little Electric Chicken Heart", seu segundo disco, no Japão? ana frango elétrico: eu espero que consiga cada vez mais espalhar meu som pelo mundo mesmo não tendo um tamanho grande e que consiga trocar com figuras desses lugares, tocar trocar e visitar... e continuar parcerias pra futuros lançamentos abrir portas. sou um pouco obsessiva, gosto de trabalhar e criar. bernini : a versão em CD do "LECH" virou raridade - sei de alguém que pagou R$250 por um (o preço original era de R$20 pelo site da Tratore). você fica feliz pelo seu trabalho ser tão demandado ou triste pela elitização do item, que acaba ficando restrito so

entrevista - beatriz rodarte // bernini vinil

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uma das poucas cantoras regionais a terem lançado um disco de vinil, a convidada de hoje é a cantora mineira Beatriz Rodarte. com cerca de 15 anos de carreira e 3 álbuns de estúdio lançado, ela é uma das artistas brasileiras modernas mais exportadas para o exterior nos últimos tempos. bati um papo bem delícia com ela, leia aí! para seguir a Beatriz no Instagram: @beatrizrodarteoficial para comprar o disco de vinil "Tamborana", clique aqui bernini : eu te considero uma artista super exportada pro exterior, com grande apelo internacional - prova disso é a turnê europeia “Oxalá” que você fez há algum tempo. você sente diferença no consumo do seu trabalho no Brasil e no exterior?  beatriz rodarte : sim, o meu trabalho autoral tem uma circulação muito natural na Europa, eu estive apresentando shows autorais em 3 tours por lá e o que posso dizer é que a receptividade é linda e nossa música tem uma entrada enorme por lá, principalmente músicas que levam elementos

entrevista - kika + LP "pra viagem" // bernini vinil

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hoje tenho a honra de falar com a cantora Kika . com cerca de 30 anos de carreira na música, seu primeiro álbum solo saiu em CD e LP em 2012, pelo selo Traquitana. “ Pra Viagem ”, com 8 músicas, é um dos discos que tem segurado a minha mão e me ajudado a atravessar esse período de caos que estamos vivendo. diria que é um álbum pop, com muito reggae e uns dubs tropicalistas que remetem à Jamaica. mas vamos passar a palavra para a verdadeira entendedora do assunto: bernini : a minha primeira pergunta é para a Angélica (nome verdadeiro da Kika). você deve saber que é difícil apurar informações na internet sobre você, justamente porque “Kika” (sem sobrenome) é um nome comum e outras cantoras também levam esse mesmo nome artístico. passo pela mesma situação quando tento apurar informações sobre uma das minhas cantoras favoritas, que leva o nome de (apenas) Annie. tendo dito isso, eu queria que você me contasse sobre a escolha do nome “Kika” - por quê? e quando foi que o “Carvalho”