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Mostrando postagens de 2020

colecionadores de hype // Noize Record Club e Três Selos

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 no Brasil de 2020, no ápice da pandemia mundial do COVID-19, temos duas revistas nadando contra a correnteza e lançando discos de vinil em edições limitadas mensalmente. embora existam comparações entre as duas, o modo de trabalho e principalmente a curadoria são diferentes e, no fim das contas, acabam sendo complementares para quem pode desembolsar cerca de R$250 mensais para assinar os dois clubes. minha coleção Três Selos 2019 ninguém é perfeito. enquanto a revista Noize "atira para tudo quanto é lado" com uma curadoria um tanto quanto confusa - em um mês lançam Raul Seixas, no mês seguinte lançam Duda Beat -, a Três Selos não tem vergonha em assumir o coleguismo e beneficiar os artistas preferidos dos donos do selo - até o presente momento, a Três Selos já lançou 14 discos de vinil da banda Metá Metá (que eu particularmente amo, mas poderiam dar oportunidade para outras pessoas).  perdoados os defeitos de cada revista, é bom lembrar que os pontos positivos falam muit

Gretchen, a forgotten singer - but a very popular figure in Brazilian culture

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It's 2020 and Maria Odete Brito de Miranda, the brazilian singer known as Gretchen, who enjoyed mainstream success during the 80s, is now only known because of memes, Whatsapp stickers and gifs. Gretchen, who hasn't released a studio album since 2009, has basically  been forgotten as a singer and is now only remembered because of her poor features on cheap brazilian reality shows from the last decade. Which is such a shame. It's true - she has been able to catch the media attention for 40 years, even though she has only had three hits in Brazil: "Freak Le Boom Boom", from 1979; "Conga Conga Conga", from 1981; and "Melô do Piripipi", from 1982. After that her popularity as a singer decreased more and more. But the brazilian press has never stopped treating her like a superstar. It's such a shame that her most interesting moments in music have never came to the mainstream public eye. Her 1995 album, called "Sexy Charme &am

entrevista - ana frango elétrico // bernini vinil

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little little little electric chicken heart! pequeno pequeno coração galinha! ahá! bernini : você, Xênia França e Dona Onete estão entre as pouquíssimas cantoras brasileiras modernas a terem seus álbuns editados em LP, um formato que requer grande investimento financeiro, no exterior. o que você espera colher com o lançamento do "Little Electric Chicken Heart", seu segundo disco, no Japão? ana frango elétrico: eu espero que consiga cada vez mais espalhar meu som pelo mundo mesmo não tendo um tamanho grande e que consiga trocar com figuras desses lugares, tocar trocar e visitar... e continuar parcerias pra futuros lançamentos abrir portas. sou um pouco obsessiva, gosto de trabalhar e criar. bernini : a versão em CD do "LECH" virou raridade - sei de alguém que pagou R$250 por um (o preço original era de R$20 pelo site da Tratore). você fica feliz pelo seu trabalho ser tão demandado ou triste pela elitização do item, que acaba ficando restrito so

entrevista - beatriz rodarte // bernini vinil

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uma das poucas cantoras regionais a terem lançado um disco de vinil, a convidada de hoje é a cantora mineira Beatriz Rodarte. com cerca de 15 anos de carreira e 3 álbuns de estúdio lançado, ela é uma das artistas brasileiras modernas mais exportadas para o exterior nos últimos tempos. bati um papo bem delícia com ela, leia aí! para seguir a Beatriz no Instagram: @beatrizrodarteoficial para comprar o disco de vinil "Tamborana", clique aqui bernini : eu te considero uma artista super exportada pro exterior, com grande apelo internacional - prova disso é a turnê europeia “Oxalá” que você fez há algum tempo. você sente diferença no consumo do seu trabalho no Brasil e no exterior?  beatriz rodarte : sim, o meu trabalho autoral tem uma circulação muito natural na Europa, eu estive apresentando shows autorais em 3 tours por lá e o que posso dizer é que a receptividade é linda e nossa música tem uma entrada enorme por lá, principalmente músicas que levam elementos

entrevista - kika + LP "pra viagem" // bernini vinil

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hoje tenho a honra de falar com a cantora Kika . com cerca de 30 anos de carreira na música, seu primeiro álbum solo saiu em CD e LP em 2012, pelo selo Traquitana. “ Pra Viagem ”, com 8 músicas, é um dos discos que tem segurado a minha mão e me ajudado a atravessar esse período de caos que estamos vivendo. diria que é um álbum pop, com muito reggae e uns dubs tropicalistas que remetem à Jamaica. mas vamos passar a palavra para a verdadeira entendedora do assunto: bernini : a minha primeira pergunta é para a Angélica (nome verdadeiro da Kika). você deve saber que é difícil apurar informações na internet sobre você, justamente porque “Kika” (sem sobrenome) é um nome comum e outras cantoras também levam esse mesmo nome artístico. passo pela mesma situação quando tento apurar informações sobre uma das minhas cantoras favoritas, que leva o nome de (apenas) Annie. tendo dito isso, eu queria que você me contasse sobre a escolha do nome “Kika” - por quê? e quando foi que o “Carvalho”

maria bethânia - "oásis de bethânia" (2012) LP

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disco mais raro da carreira de Maria Bethânia. "Oásis de Bethânia", lançado em 2012. o álbum em si não é nada demais, mas se tornou raro devido à tiragem limitada. álbum: ✭✭✭ edição em vinil: ✭✭✭✭ onde comprar: ESGOTADO média de preço de revenda: R$800 - R$1200

tuca - "meu eu" (1966) LP // bernini vinil

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muito se fala sobre o disco "Dracula I Love You" da cantora Tuca, falecida em 1978. de fato, "Dracula" é um disco excelente e, possivelmente, o melhor da curta e misteriosa discografia de Tuca. não significa de alguma forma que nós devamos ignorar os dois primeiros LPs da paulistana. no post de hoje, falarei um pouquinho (até porque não se sabe absolutamente nada sobre esse material) de "Meu Eu", o disco de estreia da Tuca pela Chantecler, lançado em 1966. pra quem pensa que o disco "Dracula I Love You", de 1974, está no limbo, precisa atentar os olhos para "Meu Eu". o álbum já está em domínio público no exterior e, mesmo assim, parece não haver o interesse em uma reedição do disco - nem mesmo em CD. alô, alô, amigos do Japão, que tal dar uma olhada nisso? para uma pessoa como eu, que ama saber que existiam compositoras mulheres excelentes no passado da MPB, "Meu Eu" é um prato cheio: o disco é inteiramente a

karina buhr - "selvática" (2015) LP // bernini vinil

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esse é o meu disco favorito da pernambucana veterana Karina Buhr. "Selvática" não é um álbum pra todo mundo - é agressivo, é barulhento, é raw. mas eu e meus ouvidos, particularmente, amamos. um disco de punk mas com raízes na MPB, "Selvática" até engana no início - os trabalhos são abertos com "Dragão", que é uma faixa bem chill sonoramente, mas cuja letra tem sido frequentemente associada por fãs às violências sexuais que a cantora sofreu por um líder religioso. mas já em A2, "Eu Sou Um Monstro", Karina conta para o que veio, aos berros, em uma das faixas mais poderosas, agressivas e fortes entregues por um artista brasileiro na década passada. minhas faixas favoritas dessa obra-prima punk feminista são, além das duas já mencionadas acima, "Alcunha de Ladrão" e a faixa título. mas o álbum inteiro é excelente e, overall, é um tapa na cara de muita gente. um tapa na cara que não deve ser tido como algo negativo mas

lucinha madana mohana / lucinha morena - "feiticeira de jaya" (1991) LP // bernini vinil

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"Feiticeira de Jaya" é o disco de estreia da multiartista nordestina Lucinha Madana Mohana, também conhecida como Sri Madana Mohana ou Lucinha Moreno.  quase tudo que tem na internet sobre esse disco é fruto de minhas pesquisas - a página de Lucinha na Wikipédia , a catalogação de seus discos no Discogs e a adição de suas músicas nas plataformas digitais. me orgulho muito desse meu trabalho de pesquisa, que fiz em conjunto com outros colecionadores e com a própria Madana Mohana, a qual hoje posso chamar de amiga. desde que fui apresentado a esse disco pelo pesquisador Clara Crocodiscos, de Porto Alegre, tenho uma "sede de justiça" para que ele seja descoberto pelo maior número de pessoas possível. aos meus ouvidos, "Feiticeira de Jaya" é uma preciosidade da música brasileira. produzido por Barrosinho (José Carlos Barroso, 1943-2009), membro da banda Black Rio e na época marido de Madana Mohana, "Feiticeira de Jaya" é um disc

entrevista - letrux em noite de vinil inflacionado // bernini vinil

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e aí, vinilzeiros! ;) galera, a minha convidada de hoje é a digníssima Letícia Novaes, a Letrux . tem quem pense que ela acabou de surgir, com o elogiado "Letrux em Noite de Climão", de 2017. mas a verdade é que a gata já está no corre musical há quase duas décadas e, pela minha pesquisa, ela tem 5 discos lançados - 3 com Letuce e 2 como Letrux. hoje vamos bater um papo sobre mídia física, tendo em vista que todos os projetos da cantora saíram fisicamente.  bernini : Let, acho que você já tá careca de saber que tanto o CD como o LP de "Letrux em Noite de Climão" viraram itens de colecionador - o CD não sai por menos de R$200 e sei de gente pagando quase 1K no LP. penso que eu, se estivesse no seu lugar, teria uma sensação bittersweet em relação isso: ficaria feliz em saber que meu trabalho é tão demandado, mas triste pelo fato de que as edições físicas estão disponíveis apenas para quem tem muita grana. então eu queria ouvir de você como você se sen

georgette da mocidade - "a deusa negra" (1992) LP // bernini vinil

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pouquíssimo se sabe sobre a cantora Georgette ou Georgette da Mocidade. o fato é que, esporadicamente, sempre surge um disco ou compacto perdido dela. mas é aquilo, né? cantora negra brasileira sofrendo com anonimato midiático não é surpresa para ninguém. o objetivo desse post é reunir algumas informações sobre a artista, mesmo que algumas delas não sejam boas.  primeiramente, a discografia oficial de Georgette Georgette A Moça do Mar (1976) LP, Tapecar A Moça Vestida de Branco (1977) LP, Tapecar ///////////// Georgette da Mocidade Praga de Urubu / Festa de Santana (1977) 7", Tapecar Chuva na Favela (1982) 7", Scorpius Georgette da Mocidade (1983) 7", Fermata A Deusa Negra (1992) LP, JRS Discos da discografia, se destacam o primeiro LP solo "A Moça do Mar" e o compacto "Chuva na Favela", que foi hypado por um DJ gringo. ambos os itens são altamente colecionáveis e procurados por colecionadores de todo o mundo.

anelis assumpção - "sou suspeita, estou sujeita, não sou santa" (LP) + "not falling" (7") // bernini vinil

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"sou suspeita, estou sujeita, não sou santa" é o disco de estreia da cantora paulistana Anelis Assumpção. muito mais do que filha de Itamar Assumpção, Anelis é uma das mais interessantes e refinadas (sem o aspecto elitista da palavra) cantoras da nova safra da música brasileira.  com vocais sensuais e calmos, as faixas do álbum trazem, em sua maioria, a luz da ancestralidade negra, ao mesmo tempo em que soam modernas e muito urbanas - "urbano" é, talvez, a melhor palavra para descrever o disco. os temas das músicas passeiam entre o amor e suas incertezas. a versão do disco em vinil foi prensada em 2011 na República Tcheca, limitada a 500 cópias com encarte. o som é muito bom, alto e claro, nítido. a embalagem, apesar de simples, também está de acordo, com papel glossy.  o grande problema com a edição em vinil é que menos da metade do álbum pôde ser incluso: das 17 faixas, couberam apenas 9. torcemos para uma reedição em vinil duplo co