entrevista - ana frango elétrico // bernini vinil


little little little electric chicken heart! pequeno pequeno coração galinha! ahá!


bernini: você, Xênia França e Dona Onete estão entre as pouquíssimas cantoras brasileiras modernas a terem seus álbuns editados em LP, um formato que requer grande investimento financeiro, no exterior. o que você espera colher com o lançamento do "Little Electric Chicken Heart", seu segundo disco, no Japão?

ana frango elétrico: eu espero que consiga cada vez mais espalhar meu som pelo mundo mesmo não tendo um tamanho grande e que consiga trocar com figuras desses lugares, tocar trocar e visitar... e continuar parcerias pra futuros lançamentos abrir portas. sou um pouco obsessiva, gosto de trabalhar e criar.


bernini: a versão em CD do "LECH" virou raridade - sei de alguém que pagou R$250 por um (o preço original era de R$20 pelo site da Tratore). você fica feliz pelo seu trabalho ser tão demandado ou triste pela elitização do item, que acaba ficando restrito somente a quem tem grana?

ana frango elétrico: acho surreal estar sendo vendido por esse preço... e eu nem vejo a cor desse dinheiro, risos. espero conseguir fazer mais tiragens! e sempre pensar numa maneira democrática de distribuição e possibilidades do meu trabalho, tanto em show quanto prensagens.

 

bernini: Ana Frango Elétrico é a cantora moderna mais exportada do Brasil desde a Céu, ao meu ver. você criou os seus dois álbuns sabendo que eles receberiam tamanha atenção internacional? foi um plano maléfico (muahaha) ou não havia essa pretensão? qual a diferença do consumo da sua música no Brasil e no exterior?

ana frango elétrico: eu sinto que sou pretensiosa, dentro dos meus valores morais e educação sempre. minha pretensão não tem a ver com fama, mas sim com expansão e troca... objetivos!

acho que a pretensão é necessária pra chegar em lugares. mas pretensão demais estraga também! e tenho metas! não sabia de nada que ia acontecer mas tinha intenção de chegar em lugares.

eu passei o processo do LECH e a pré-produção na minha cabeça querendo tomar rédeas e ser mais respeitada... provar coisas que nem sabia por que queria provar (mas acho que pela minha idade e por querer cada vez mais ser produtora musical). então no processo falei bastante do Japão e do Grammy. auges e distâncias, objetivos que eram quase de brincadeira mas que davam força e intenção. 


bernini: queria que você comentasse acerca do convite da revista Noize para o lançamento do seu disco de vinil no Brasil, que sai agora em Junho. eles te procuraram ou você quem foi atrás? você participou de decisões técnicas, como a escolha de qual faixa iria em qual lado do disco ("Chocolate" no lado A ou no lado B?) e a escolha da cor do vinil (vermelho)? 

ana frango elétrico: acho que foi uma mistura de interesse deles com o do selo que participo, o selo RISCO. participei da escolha dos lados, e a cor foi escolha deles! 


bernini: existem planos de lançar uma versão física do "Mormaço Queima", seu primeiro álbum, após a pandemia? demanda não falta...

ana frango elétrico: existe muito! eu quero assim que possível lançar um cd do Mormaço Queima! durante a pandemia terminei o projeto gráfico misturando trabalhos meus da época de gravura e pintura.

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entrevista concedida por e-mail no dia 19 de junho de 2020.

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