entrevista - beatriz rodarte // bernini vinil

uma das poucas cantoras regionais a terem lançado um disco de vinil, a convidada de hoje é a cantora mineira Beatriz Rodarte. com cerca de 15 anos de carreira e 3 álbuns de estúdio lançado, ela é uma das artistas brasileiras modernas mais exportadas para o exterior nos últimos tempos. bati um papo bem delícia com ela, leia aí!

para seguir a Beatriz no Instagram: @beatrizrodarteoficial
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bernini: eu te considero uma artista super exportada pro exterior, com grande apelo internacional - prova disso é a turnê europeia “Oxalá” que você fez há algum tempo. você sente diferença no consumo do seu trabalho no Brasil e no exterior? 

beatriz rodarte: sim, o meu trabalho autoral tem uma circulação muito natural na Europa, eu estive apresentando shows autorais em 3 tours por lá e o que posso dizer é que a receptividade é linda e nossa música tem uma entrada enorme por lá, principalmente músicas que levam elementos regionais e típicos brasileiros. no Brasil existe uma concorrência maior, e uma dificuldade pra encontrar espaços abertos ao novo, mas círculo bastante por aqui também, crio minhas oportunidades e trabalho dia após dia atrás de novas portas. 


bernini: eu queria que você comentasse acerca do lançamento do disco de vinil do “Tamborana”. como se deu esse lançamento em vinil? foi um investimento independente ou teve parceria? e por que lançar um LP no século do streaming?

beatriz rodarte: foi um vinil que teve investimento independente e teve apoios também, não teria condições de lançar o disco que sonhava sem a colaboração de vários parceiros, eu sempre tive o sonho de lançar um vinil, sempre fui encantada pela sonoridade e pelo ritual que é escutar um vinil.  o mercado mudou muito pra CD, e eu estive trabalhando numa turnê, tocando com um artista de SP, e percebi que o público estava consumindo mais vinil do que cd no pós show, isso me deu um gás a mais pra levar o projeto a frente. e é fato, existe uma procura muito forte do vinil nos tempos atuais. 


bernini: por que os seus outros discos, “Circo de Ilusões” (2009) e “Natural” (2013), não estão disponíveis na internet? são trabalhos de uma outra era sua que você não quer que sejam ouvidos?

beatriz rodarte: na verdade eu tenho muito respeito por todos meus trabalhos, claro que o trabalho atual sempre é o predileto do momento, mas o motivo deles não estarem nos streamings é o fato de ter lançado eles antes do mercado mudar, mas estou bolando um disco novo com as faixas “mais mais” da minha caminhada, em breve estarão nos streamings faixas desses dois trabalhos passados. 


bernini: na faixa “Ana”, do LP Tamborana, você se mostra toda orgulhosa do seu primeiro nome. entretanto, você preferiu omiti-lo do seu nome artístico, seguindo com apenas “Beatriz Rodarte”. por quê? essa escolha foi uma questão mercadológica?

beatriz rodarte: quando lancei meu primeiro trabalho fonográfico procurei uma numeróloga, eu usava outro nome artístico e foi um estudo que misturou numerologia, simbologia, tarot, um universo que amo  que apontou boas vibrações e portas abertas pra este nome, eu apostei e fui!


bernini: a faixa que abre o disco, “Não Vai Morrer”, traz um apelo pela preservação do meio ambiente. qual a sua opinião acerca da situação ambiental do Brasil 2020?

beatriz rodarte: a situação ambiental do mundo é preocupante, eu tento dentro do meu ecossistema fazer minha parte, mas sabemos que a questão do desmatamento, da poluição, do consumo desenfreado trazem pra nós uma discussão mais ampla pra mudança de hábitos e cuidados. eu tenho um pai ambientalista e cresci tendo como exemplo um homem que luta pra não deixar acabar aves em risco de extinção no planeta , esse contato direto com questões ambientais me trouxe uma inquietação e uma necessidade de abordar tais discussões entre amigos e público. 


bernini: entre 2019 e 2020, você se engajou com um projeto musical de lançar 1 single a cada 2 meses. tenho uma amiga cantora, a Jenni Mosello, que fez algo parecido, mas porque ela estava desacreditada do formato de “álbum”. é esse o seu caso?

beatriz rodarte: o consumo hoje é mais rápido e dinâmico , as pessoas na sua maioria não param pra ouvir um disco inteiro de uma vez assimilando todas as faixas, acho interessante essa forma de presentear as pessoas com uma degustação musical em pequenas cápsulas... tem funcionado bem pra mim, inclusive na questão de produção, o projeto me trás um compromisso de criar música nova todo mês pro meu público, e eles ficam esperando, tem sido gostosa a troca. 


bernini: você considera o Tamborana um álbum curto ou um EP comprido? ou não se importa com rótulos? beijo e obrigado pela participação!

beatriz rodarte: o Tamborana é um legítimo vinil/álbum com 3 faixas de cada lado. desfrutem desse ritual. Escutar um vinil é um acontecimento, é pausa pra ler o encarte, observar a capa e escutar as frequências graves com um bom café, de preferência olhando pra uma bela paisagem! obrigada pelo espaço amado! beijo grande e muito sucesso sempre!

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entrevista concedida por e-mail no dia 4 de junho de 2020. 

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